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Resposta a treinos: por que o mesmo programa entrega resultados tão diferentes

  • Time científico Club
  • 13 de jul.
  • 4 min de leitura

A dúvida clínica que abre a consulta

Dois pacientes, mesmo programa, mesma adesão, 12 semanas. Um evolui bem no VO2, perde gordura, relata disposição. O outro treina igual, come igual — e a resposta é discreta. Ele começa a se frustrar, e a frustração precede o abandono.

A explicação preguiçosa é “ele não está se esforçando”. A pergunta certa é: e se a resposta ao treino tiver, ela também, variabilidade biológica?

O que a ciência mostra

Comecemos pelo desfecho que realmente importa. Uma capacidade reduzida de captação máxima de oxigênio (VO2 máximo baixo) é fator de risco independente para mortalidade, incluindo doenças cardiovasculares. VO2 máx também se relaciona ao condicionamento vascular, e indivíduos com VO2 mais alto tendem a performar melhor em atividades aeróbicas.

E o ponto mais importante — o que impede que este texto vire determinismo: é possível melhorar essa capacidade justamente pela prática de exercício físico. A genética modula a inclinação da curva, não a existência dela.

Os genes analisados atuam em vias complementares:

•          ACTN3 (rs1815739 — o clássico R577X) — codifica a alfa-actinina-3, proteína estrutural expressa exclusivamente em fibras de contração rápida (tipo II). O alelo X gera uma proteína não funcional. É o polimorfismo mais estudado da genética do esporte, associado ao perfil força/potência versus resistência.

•          ADRB3 (rs4994) — receptor beta-3 adrenérgico, expresso no tecido adiposo; participa da lipólise mediada por catecolaminas — ou seja, da mobilização de gordura durante o exercício.

•          EDN1 (rs5370) — endotelina-1, potente vasoconstritor; conecta a resposta ao treino ao componente vascular e à entrega de oxigênio ao músculo.

•          KCNQ1 (rs2074238) e BAHD1 (rs3803357) — loci associados a variantes de aptidão cardiorrespiratória (Bye et al., Progress in Cardiovascular Diseases, 2020).

A leitura honesta: essa análise tem grau de confiabilidade 4/5 na escala DNA Club — sólida, mas com menos consenso do que os marcadores 5/5. Isso deve ser comunicado, não escondido.

Aplicação na prática clínica

1. Quando indicar: o paciente que estagna ou o que quer otimizar do zero. Dois perfis. O primeiro é o que não responde como o esperado após um ciclo bem executado — antes de aumentar volume (e risco de lesão), vale entender o perfil. O segundo é o paciente novo, de alto envolvimento, em que você pode acertar a prescrição na primeira tentativa em vez de descobrir por tentativa e erro em seis meses.

2. O que ajustar: a ênfase do estímulo, não o fato de treinar. - Perfil com ACTN3 sugerindo menor potência: não significa “não treine força” — significa que a resposta hipertrófica/potência pode exigir mais volume e mais paciência, enquanto o componente aeróbico tende a responder melhor. Ajuste a expectativa e a distribuição do estímulo, e você evita a frustração que gera abandono. - Perfil com predisposição a menor aptidão cardiorrespiratória: aqui o VO2 máx vira alvo terapêutico prioritário, não consequência. Isso justifica incluir trabalho aeróbico estruturado (inclusive intervalado) mesmo em paciente cujo objetivo declarado é estético. - ADRB3: informa expectativa de mobilização lipídica em resposta ao exercício — útil para calibrar a conversa sobre composição corporal.

3. Que rastreio antecipar: o cardiovascular. Este é o desdobramento mais sério e mais subutilizado. Se VO2 máx baixo é fator de risco independente para mortalidade cardiovascular, então um paciente com predisposição a menor aptidão cardiorrespiratória merece atenção cardiovascular antecipada — perfil lipídico, pressão, e leitura conjunta com Doença coronariana e Frequência cardíaca, disponíveis no mesmo laudo.

O que muda na sua conduta e no seu diferencial

Prescrição de exercício ainda é feita, na maioria dos consultórios, por protocolo e intuição. Quem individualiza, individualiza pelo objetivo do paciente — raramente pela biologia dele.

O ganho aqui é duplo. Clinicamente, você antecipa quem vai precisar de mais volume, quem responde melhor a que estímulo, e em quem o VO2 é prioridade de saúde e não de performance. Na relação, você desarma a frustração antes que ela vire desistência — e desistência é a principal causa de perda de paciente em programas de exercício.

Dizer “seu perfil indica resposta mais lenta nesse eixo, então vamos ajustar volume e expectativa” é infinitamente mais eficaz do que deixar o paciente concluir sozinho que ele “não tem jeito”.

Como a DNA Club avalia

A análise de Resposta a treinos integra a trilha Corpo e Performance do laudo DNA Club PRO Completo, com grau de confiabilidade científica 4/5.

São 5 marcadores: EDN1 (rs5370), ADRB3 (rs4994), ACTN3 (rs1815739), KCNQ1 (rs2074238) e BAHD1 (rs3803357). O resultado é estável ao longo da vida e deve ser lido junto de Performance atlética, Resistência atlética, Força muscular, Massa magra e Danos musculares — é o conjunto que monta o perfil de treinabilidade, não um gene isolado.

Conclusão

A genética não decide se o seu paciente vai responder ao treino. Ela ajuda a prever em que ritmo, por qual via, e com qual ênfase — e a ajustar a prescrição antes que a frustração faça o trabalho por você.

Para o profissional: a trilha Corpo e Performance do DNA Club PRO Completo entrega o perfil de treinabilidade que transforma prescrição genérica em programa individualizado. Fale com a DNA Club.

Referências

1.       BYE, A. et al. Identification of novel genetic variants associated with cardiorespiratory fitness. Progress in Cardiovascular Diseases, v. 63, n. 3, p. 341–349, 2020.

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